Sobre as pessoas
Existem pessoas que cruzam nosso caminho para fazerem parte da nossa vida. Só não sabemos, até viver, que parte essa pessoa ocupará. Será a parte que ocupa quase o todo? Será uma breve passagem? Dessas pessoas, algumas delas, nós aceitamos com resignação o tempo que lhes coube. Outras já insistimos em não deixar partir, por entender o quanto ainda são essenciais para o decorrer da caminhada. Ainda que, muitas vezes, as eventualidades da vida nos afastem dessas pessoas, insistimos em mantê-las por perto, principalmente, dentro. E o que diferenciam esses dois tipos de pessoas? Talvez, só talvez, é o sentimento, lá dentro, nos dizendo o quanto temos para aprender com elas e o quanto ainda temos a ensinar. É o sentimento de entrega e reciprocidade. É a vontade de permanecer junto, reconhecida no olhar do outro. E não é preciso dizer que quando a gente sente, não há muito quem ou o que nos impeça de prosseguir. No entanto, sabemos que essa vida não é sempre esse conto de fadas. Que eventualmente mesmo que a gente sinta muito e de verdade, não será o suficiente para fazer as pessoas ficarem o tempo que julgamos necessário. A vida, em algum momento, nunca tarde, mas as vezes cedo, é interrompida. E aí, quem a gente pensava fazer parte do quase todo é na realidade quem faria sua breve passagem. Nesses casos a resignação se faz mais do que necessária, se faz obrigatória para a nossa sobrevivência. Aceitar é um processo doloroso e leva tempo. Desfazer expectativas, desconstruir nosso castelo de ilusões requer determinação e coragem. Coragem para enfrentar o fato de que não temos tudo ao nosso controle e que nem tudo se faz somente pela vontade. Aquele papo de que é só desejar que a coisa vem, é balela. Há sim, que se ter esperança, vontade do amanhã. Sonhar é ótimo e faz bem para saúde, além é claro de ser o combustível que nos movimenta. Mas também temos que desenvolver o equilíbrio entre almejar o futuro tendo a consciência de que o presente é o único tempo que existe. É nele que vivemos e aprendemos. Mas voltando a falar das pessoas: não importa qual a duração delas na sua vida. Quem entra, nunca mais sai, pois levou um pouco de ti e deixou um pouco de si. E só pela oportunidade linda que temos do encontro uns com os outros a vida já deve ter o seu valor.
Escrevo isso, como sempre, motivada pelo meu próprio desejo de aprender sobre o que escrevo. Escrevo quase como me dando conselhos. E eu ainda aprendo.
Joice Buzzi
Escrevo isso, como sempre, motivada pelo meu próprio desejo de aprender sobre o que escrevo. Escrevo quase como me dando conselhos. E eu ainda aprendo.
Joice Buzzi
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