A vida é triste

A vida é triste. Mas ela pode ser alegre, em curtos espaços de tempo, frações de segundos, um piscar de olhos, um abraço. A vida é triste. Triste porque a mágoa e o choro são inevitáveis, já a alegria demanda um pouco mais de esforço, olhos atentos e criatividade para transformar coisas aparentemente comuns em belezas extraordinárias. Ver o belo no caos não é para qualquer um. Eu também poderia dizer que a vida é triste porque acaba - bom, pelo menos nossa consciência sim, a vida continuará pulsando em nós só que em outras formas - mas nisso talvez eu veja uma esperança: ela acaba para valorizarmos os dias ou as noites ou as pessoas. A vida é tão triste. Não nascemos sabendo administrar tamanha responsabilidade que é viver e conviver. Afetar a vida dos outros e ao mesmo tempo, nossa própria. Cada passo, cada palavra, cada escolha vai ditar o que serei e o que o outro poderá ser. Estou construindo um mundo a cada sílaba desenhada no ar e a cada gesto. A vida é triste porque é injusta e não existe solução possível para sê-la definitivamente igual, homogenia, equilibrada. A natureza em sua infinita sabedoria contida em si própria trata de resolver as coisas, já nós, de natureza consciente, nos perdemos no meio de tanta informação. A vida é triste, mas isso não significa que não seja interessante experimentá-la, afinal, não conheço outra forma de ser, senão eu. Outra forma de ver o mundo senão através dos meus olhos e sentidos. Viver é triste e vale por si, porque vez ou outra, a gente consegue também ser alegre.

Joice Buzzi

Comentários

  1. A escuridão é necessária, ela necessita se fazer presente, sem ela, como poderíamos admirar as estrelas?
    É nesse eco de luz e escuridão, alegrias e tristezas, certezas e dúvidas, é que a maré se quebra, se transforma, se forma em um emaranhado, emaranhado de turbilhões, e no meio deles lá estamos, o que fazia sentido, deixa de se fazer, emoções difíceis de dizer, difíceis de raciocinar.. Felicidade? Tristeza? Nada mais faz sentido, lapsos de memórias, o presente a todo momento virando passado, sempre tentando aprender algo que levamos a vida toda para talvez ter uma noção, algo que mesmo chegando no fim nunca teremos todas as respostas, que é viver, mas com sorte poderemos ver as estrelas por conta de todo esse período de "escuridão".

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