Espécie esquisita

Olho para mim mesma, exemplar dessa espécie esquisita, e me impressiono. Me fascino com nossa natureza tão peculiar, com nossa forma de ser tão material e ao mesmo tempo, abstrata. Percebo como tudo aquilo que penso não tem forma, nem materialidade e me assusto. Que espécie de animal sofisticado nós somos. Tão completamente estranhos, mesmo com tudo que conhecemos e podemos aprender por meio da nossa consciência. Que bicho esquisito, penso em palavras, códigos que estabelecemos no decorrer da nossa história e hoje, posso decidir materializá-las ou não. Onde ficam as palavras que eu penso? Onde ficam os sonhos que eu sonho? No cérebro, diriam alguns mais sérios. Pois me apontem o dedo, me digam se podem enxergar o que eu penso através de suas máquinas? Onde estão os rostos que eu amo? E as músicas que tocam algo mais profundo da minha alma? Podem identificá-las? Não podem. Talvez ainda não. O mundo é mesmo coisa muito louca. É muita informação pra uma cabeça tão jovem quanto a minha, que está apenas se descobrindo e dando seus primeiros passos ao desconhecido que habita meu ser. Não é coisa atoa quando dizem que um universo reside em nós. Sou a minha maior fonte de fascinação. Os outros são apenas sombras. Também posso amar profundamente essas sombras. Algumas delas. Outras fazem jus ao seu título e escurecem o caminho por onde passam, dessas eu tenho horror. Mas um horror curioso, o que houve com essas sombras? Não sei, isso é outra reflexão. São tantas no decorrer da vida. Me perco nas respostas e nas perguntas mas continuo respirando. E pensando. Eu gosto da palavra "louca". Que triste são aqueles que não podem perceber, pelo comodismo, pela segurança das ideias cristalizadas, como é espantoso viver. Eu me surpreendo sempre que descubro algo novo, por indicação ou por inspiração. Hoje eu estou descobrindo, amanhã não sei.

Joice Buzzi

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Arte