O único universo que conheço e que também desconheço
Eu, habitante de mim mesma, sou o único universo que conheço e que também desconheço. Há fenômenos em mim que acontecem sem nem ao menos eu me dar conta. E quando dou, me devoram.
Meus problemas, ah, meus problemas. Dizem que supervalorizamos nossos problemas, uma vez que se observarmos o conjunto das coisas existentes, nos tornamos pequeníssimos em relação a elas. Menos ainda sou eu, no meio dessa gente toda. Mas eu sou o único universo que eu conheço e que também desconheço. Eu sou o meu único enigma. É natural que eu me coloque em lugar de destaque. É compreensível que eu dê essa importância toda ao que dói e ao que alegra. Eu vivo em mim, é através de mim que tudo observo e toco. É por meio dos órgãos receptores de sentidos que posso perceber o mundo e as coisas. Não houvesse sentidos, seria apenas eu. Ou nada. Mas não sou só eu, eu também sou o mundo. Através de mim. Pensando agora, meu corpo é uma nave e eu estou dentro acompanhando essa viagem. Eu sou a nave e eu sou eu. Porque o que toca a nave toca também a mim. O que toca a nave modifica a nave e a mim. Cuidado.O trajeto é perigoso, nunca se sai da mesma forma que se entrou. Por onde entrei? Por onde eu saio? O caminho é tortuoso e não tem sinal. Alguns que viajaram primeiro indicam o caminho que eles seguiram e acham certo. Esquecem que minha nave não tem os mesmos equipamentos que os deles. E que toda nave é diferente, porque veio de um lugar diferente. Mas, vão para o mesmo lugar? Desconfio da resposta. Sempre desconfiei das respostas. Acho que no fim não importa o caminho que se faz e nem para onde se chega. Importa o que eu aproveitei desse caminho. As margens, você olhou para as margens? Talvez ali estivesse o que interessa. Mas ah, para que falar tanto do caminho? Tenho um universo inteiro para explorar. E ele ta aqui. Agora. Dentro de mim. Afinal, eu sou o único universo que conheço e que também desconheço.
Joice Buzzi
Meus problemas, ah, meus problemas. Dizem que supervalorizamos nossos problemas, uma vez que se observarmos o conjunto das coisas existentes, nos tornamos pequeníssimos em relação a elas. Menos ainda sou eu, no meio dessa gente toda. Mas eu sou o único universo que eu conheço e que também desconheço. Eu sou o meu único enigma. É natural que eu me coloque em lugar de destaque. É compreensível que eu dê essa importância toda ao que dói e ao que alegra. Eu vivo em mim, é através de mim que tudo observo e toco. É por meio dos órgãos receptores de sentidos que posso perceber o mundo e as coisas. Não houvesse sentidos, seria apenas eu. Ou nada. Mas não sou só eu, eu também sou o mundo. Através de mim. Pensando agora, meu corpo é uma nave e eu estou dentro acompanhando essa viagem. Eu sou a nave e eu sou eu. Porque o que toca a nave toca também a mim. O que toca a nave modifica a nave e a mim. Cuidado.O trajeto é perigoso, nunca se sai da mesma forma que se entrou. Por onde entrei? Por onde eu saio? O caminho é tortuoso e não tem sinal. Alguns que viajaram primeiro indicam o caminho que eles seguiram e acham certo. Esquecem que minha nave não tem os mesmos equipamentos que os deles. E que toda nave é diferente, porque veio de um lugar diferente. Mas, vão para o mesmo lugar? Desconfio da resposta. Sempre desconfiei das respostas. Acho que no fim não importa o caminho que se faz e nem para onde se chega. Importa o que eu aproveitei desse caminho. As margens, você olhou para as margens? Talvez ali estivesse o que interessa. Mas ah, para que falar tanto do caminho? Tenho um universo inteiro para explorar. E ele ta aqui. Agora. Dentro de mim. Afinal, eu sou o único universo que conheço e que também desconheço.
Joice Buzzi
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