risível

O ridículo da vida
de ser gente,
este espetáculo
da natureza a parte
que as vezes
transcende
e escapa as leis
naturais e físicas.
Vai sem ir,
só com a força
do seu pensar.

Ser gente,
lutar contra
a imponência
da grande criadora
e perder,
perder sempre.

Em todas as gerações,
perder apenas.
Que ridículo ser gente,
o instante interrompido
no meio
de uma ideia
de um poema
de uma decisão.

Assim, sem autorização
o ser é engolido pelo silêncio.
O silêncio é maior.
No entanto, o ruído por mais pouco
faz um estardalhaço.
Há quem deseje voltar ao silêncio,
quem nem quisesse ser ruído.
Veja, nem pra ser ruído
se é consultado.

Aqui apenas.
Ruído.
Logo,
silêncio.
Desse jeito,
completamente
risível.

Joice Buzzi




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