trancos e barrancos

Queria poder traduzir esse nó na garganta que simboliza todo meu sentir, tudo que vejo, tudo que penso. Queria ter a habilidade de expor as imagens do meu coração, símbolo universal do amor. A vida, essa vida que tantos poetas e filósofos tentaram explicar, sem sucesso. A vida, essa coisa toda que a gente não compreende muito bem, só deduz e vai, aos trancos e barrancos seguindo como consegue, como aprendeu, como foi determinado a ser. Creio eu em destino? Não no sentido que se conhece, mas na fatalidade. Conheço bem o fado do inevitável. Teria sido inevitável mesmo? Não dá pra saber. Muitas coisas nos escapam. Queria que pudessem enxergar minha alma como enxergam meu corpo. E enxergam meu corpo? Vai saber... Sei tão pouco e esse pouco já me assusta. Só resta seguir, aos trancos e barrancos...

Joice Buzzi

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