"É triste explicar um poema. É inútil também.
Um poema não se explica. É como um soco.
E, se for perfeito, te alimenta para toda a vida.
Um soco certamente te acorda e, se for em cheio,
faz cair tua máscara, essa frívola, repugnante,
empolada máscara que tentamos manter
para atrair ou assustar.
Se pelo menos um amante de poesia foi atingido
e levantou de cara limpa depois de ler
minhas esbraseadas evidências líricas,
escreva, apenas isso: fui atingido…
Porque há de ser festa aquilo que na Terra
me pareceu exílio:
o ofício do poeta."
Hilda Hilst
Um poema não se explica. É como um soco.
E, se for perfeito, te alimenta para toda a vida.
Um soco certamente te acorda e, se for em cheio,
faz cair tua máscara, essa frívola, repugnante,
empolada máscara que tentamos manter
para atrair ou assustar.
Se pelo menos um amante de poesia foi atingido
e levantou de cara limpa depois de ler
minhas esbraseadas evidências líricas,
escreva, apenas isso: fui atingido…
Porque há de ser festa aquilo que na Terra
me pareceu exílio:
o ofício do poeta."
Hilda Hilst
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