Quem sou eu?
Na disciplina de Existencialismo do 6º período de psicologia, a professora nos convocou a responder essa inquietante pergunta. Eis a minha resposta.
Eu sou daquele tipo de gente consciente da limitação de se definir em poucas linhas, tanto quanto uma vida toda. Como o próprio existencialismo sugere: somos seres inacabados, portanto, não posso dizer o que sou, apenas o que fui. Pois o que sou continua sendo e eu terminarei a vida sem ter me conhecido por completo. O eu de agora é uma surpresa, uma descoberta, uma construção. Heráclito também nos indicou como tudo muda exceto a mudança, por isso falar do que se é, é tão complexo. “Se definir é se limitar” como já anunciava alguma frase clichê do Orkut. Somos instantes, um devir, um rio que flui, impermanência.
No meio disso tudo, entre as coisas acessíveis e comunicáveis de mim mesma – baseada em quem eu já fui e minhas predisposições - posso dizer que sou curiosa para a vida. Amo filosofia e literatura, me identifico com Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade. Tenho um bom nível de autoconhecimento, adoro estudos sobre a sociedade e o comportamento humano, tenho bom senso crítico e sei me posicionar politicamente. Gosto de pessoas – as vezes nem tanto. Sou uma boa amiga. Me esforço para compreender e respeitar a individualidade do outro, ter tolerância, ser transparente e honesta. Comunico claramente o que quero e o que não quero. Não faço jogo e não me anulo pra caber em ninguém.
Além disso, batalho constantemente para melhor a mim mesma e ser alguém cuja a vida contribuiu para o crescimento de outras. Procuro ser verdadeira sem ser agressiva e polida sem ser fingida, ou seja, busco comunicação assertiva em minhas relações interpessoais, ainda que nem sempre eu consiga. Quando não consigo, me puno cruelmente. Sou perfeccionista, o que me impede de fazer tantas coisas quanto gostaria por medo de fracassar. Meus erros são difíceis de serem tolerados por mim mesma. Os erros dos outros busco compreender e aceitar.
Eu sou daquele tipo de gente consciente da limitação de se definir em poucas linhas, tanto quanto uma vida toda. Como o próprio existencialismo sugere: somos seres inacabados, portanto, não posso dizer o que sou, apenas o que fui. Pois o que sou continua sendo e eu terminarei a vida sem ter me conhecido por completo. O eu de agora é uma surpresa, uma descoberta, uma construção. Heráclito também nos indicou como tudo muda exceto a mudança, por isso falar do que se é, é tão complexo. “Se definir é se limitar” como já anunciava alguma frase clichê do Orkut. Somos instantes, um devir, um rio que flui, impermanência.
No meio disso tudo, entre as coisas acessíveis e comunicáveis de mim mesma – baseada em quem eu já fui e minhas predisposições - posso dizer que sou curiosa para a vida. Amo filosofia e literatura, me identifico com Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade. Tenho um bom nível de autoconhecimento, adoro estudos sobre a sociedade e o comportamento humano, tenho bom senso crítico e sei me posicionar politicamente. Gosto de pessoas – as vezes nem tanto. Sou uma boa amiga. Me esforço para compreender e respeitar a individualidade do outro, ter tolerância, ser transparente e honesta. Comunico claramente o que quero e o que não quero. Não faço jogo e não me anulo pra caber em ninguém.
Além disso, batalho constantemente para melhor a mim mesma e ser alguém cuja a vida contribuiu para o crescimento de outras. Procuro ser verdadeira sem ser agressiva e polida sem ser fingida, ou seja, busco comunicação assertiva em minhas relações interpessoais, ainda que nem sempre eu consiga. Quando não consigo, me puno cruelmente. Sou perfeccionista, o que me impede de fazer tantas coisas quanto gostaria por medo de fracassar. Meus erros são difíceis de serem tolerados por mim mesma. Os erros dos outros busco compreender e aceitar.
Percebo como tenho potencial para muito, mas a ansiedade patológica e o medo do julgamento muitas vezes me paralisam. Sou sensível, do tipo que se emociona ao ver demonstrações legítimas de afeto. Abraços me deixam constrangida, porém eu adoro, inclusive faço barulhos estranhos com a boca para disfarçar o embaraço.
Amo a natureza e o silêncio da floresta. Costumo ter tendência a liderança, o que as vezes me incomoda. Sinto que eventualmente as pessoas deixam de explorar seu potencial porque esperam que eu assuma a frente. Temo ser do tipo que não deixa os outros serem e terem seu espaço para crescer. Busco deixar os outros confortáveis sendo quem eles são em minha presença.
Sou introspectiva, o que foi uma novidade descobrir. Me considerava o oposto até fazer o teste QUATI e concluir que de fato, entre outras coisas, não me abro pra todo mundo, preciso de segurança para isso e levo um certo tempo para incluir alguém verdadeiramente em minha lista de afetos. Por não banalizar a afetividade, não chamo de amigo quem é apenas colega. Não gosto de superficialidades e relações estritamente estabelecidas por conveniência, pois construo relacionamentos sólidos.
Vez por outra me sinto chata, implicante e problematizadora em excesso. Sou a pessoa que mais me julga e um bocado exigente. Sou feminista, detesto intolerância de todos os gêneros, gente que não respeita a diversidade de vida, de pessoas e de narrativas. Protejo os animais e acredito numa sociedade com menos desigualdades sociais.
Adoro conversar e conhecer pessoas, ouvir suas histórias, entretanto também preciso dos meus momentos sozinha, em que coloco meus pensamentos em ordem e curto minha própria companhia, tomando bons – ou ruins - vinhos. Ataco quando me sinto atacada. Dificilmente me calo quando estou fortemente influenciada pela raiva. Minha palavra é minha defesa. Procuro assumir as consequências das minhas escolhas, atitudes e perceber minhas projeções. Tenho tendência a me culpar mais do que deveria.
Tenho humor instável, mas na medida do possível sou coerente. Admito quando estou bem e quando não estou. Raramente disfarço minhas emoções. No ambiente familiar assumo uma persona mais infantil e reativa. No meio social sou comedida e gentil. Sou medrosa, por isso é improvável eu me envolver em atividades de alto risco físico. Costumo ser a “mãe” do rolê: “cuidado, desce dai é perigoso!”, “vai mais devagar com esse carro!”. Respeito normas e regras básicas de conduta, na maioria das vezes.
Sou ateísta agnóstica: não acredito na existência de um Deus (ateísmo), entretanto, pode ser que ele exista, não há como saber (agnosticismo). Caso um Deus existir ele se configura como uma força superior, algo imanente, inseparável de todo o resto, não como pregam as religiões. Assim penso eu após tantas de minhas leituras sobre a história da existência humana. Pensar assim faz com que eu seja mais tolerante a todos os fenômenos de vida e de crenças. Jamais milito quanto a isso e respeito profundamente a fé que ampara muitas pessoas, inclusive, minha família predominantemente católica. Eu mesma batizada e catequizada nessa doutrina. Só não tolero a intolerância dos que tentam impor seus dogmas.
Teimo na justa medida de minhas convicções, principalmente quando a pauta sou eu. Não sei lidar com rejeição e críticas negativas me desestruturam muito. Sou pessimista – muito por conta da ansiedade – me desespero com facilidade em momentos de crise por sempre imaginar o pior cenário possível. “Se coisas ruins acontecem, por que não aconteceriam comigo?”, eis o que penso. Já fui vítima de roubo algumas vezes e um assalto a mão armada. Assim como, perdi dois primos próximos em um latrocínio. Penso serem fatores contribuintes para o reforço do pessimismo.
Amo a natureza e o silêncio da floresta. Costumo ter tendência a liderança, o que as vezes me incomoda. Sinto que eventualmente as pessoas deixam de explorar seu potencial porque esperam que eu assuma a frente. Temo ser do tipo que não deixa os outros serem e terem seu espaço para crescer. Busco deixar os outros confortáveis sendo quem eles são em minha presença.
Sou introspectiva, o que foi uma novidade descobrir. Me considerava o oposto até fazer o teste QUATI e concluir que de fato, entre outras coisas, não me abro pra todo mundo, preciso de segurança para isso e levo um certo tempo para incluir alguém verdadeiramente em minha lista de afetos. Por não banalizar a afetividade, não chamo de amigo quem é apenas colega. Não gosto de superficialidades e relações estritamente estabelecidas por conveniência, pois construo relacionamentos sólidos.
Vez por outra me sinto chata, implicante e problematizadora em excesso. Sou a pessoa que mais me julga e um bocado exigente. Sou feminista, detesto intolerância de todos os gêneros, gente que não respeita a diversidade de vida, de pessoas e de narrativas. Protejo os animais e acredito numa sociedade com menos desigualdades sociais.
Adoro conversar e conhecer pessoas, ouvir suas histórias, entretanto também preciso dos meus momentos sozinha, em que coloco meus pensamentos em ordem e curto minha própria companhia, tomando bons – ou ruins - vinhos. Ataco quando me sinto atacada. Dificilmente me calo quando estou fortemente influenciada pela raiva. Minha palavra é minha defesa. Procuro assumir as consequências das minhas escolhas, atitudes e perceber minhas projeções. Tenho tendência a me culpar mais do que deveria.
Tenho humor instável, mas na medida do possível sou coerente. Admito quando estou bem e quando não estou. Raramente disfarço minhas emoções. No ambiente familiar assumo uma persona mais infantil e reativa. No meio social sou comedida e gentil. Sou medrosa, por isso é improvável eu me envolver em atividades de alto risco físico. Costumo ser a “mãe” do rolê: “cuidado, desce dai é perigoso!”, “vai mais devagar com esse carro!”. Respeito normas e regras básicas de conduta, na maioria das vezes.
Sou ateísta agnóstica: não acredito na existência de um Deus (ateísmo), entretanto, pode ser que ele exista, não há como saber (agnosticismo). Caso um Deus existir ele se configura como uma força superior, algo imanente, inseparável de todo o resto, não como pregam as religiões. Assim penso eu após tantas de minhas leituras sobre a história da existência humana. Pensar assim faz com que eu seja mais tolerante a todos os fenômenos de vida e de crenças. Jamais milito quanto a isso e respeito profundamente a fé que ampara muitas pessoas, inclusive, minha família predominantemente católica. Eu mesma batizada e catequizada nessa doutrina. Só não tolero a intolerância dos que tentam impor seus dogmas.
Teimo na justa medida de minhas convicções, principalmente quando a pauta sou eu. Não sei lidar com rejeição e críticas negativas me desestruturam muito. Sou pessimista – muito por conta da ansiedade – me desespero com facilidade em momentos de crise por sempre imaginar o pior cenário possível. “Se coisas ruins acontecem, por que não aconteceriam comigo?”, eis o que penso. Já fui vítima de roubo algumas vezes e um assalto a mão armada. Assim como, perdi dois primos próximos em um latrocínio. Penso serem fatores contribuintes para o reforço do pessimismo.
Gosto de fazer piqueniques, falar sobre a vida e a morte e de mim. Gosto de comer, sobretudo sushi e fazer alguma atividade física. Aprecio a arte em todas as suas formas. Tenho noção da minha desimportância para o universo e da minha importância para as pessoas que me amam. Entendo que ainda há muito para descobrir sobre o mundo, as pessoas e a mim mesma. Por fim, entre outras peripécias o dizível em – acredite, poucas linhas - está aí. Um “sôfrego pulsar entre constelações”.
Joice Buzzi
Joice Buzzi
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