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Mostrando postagens de junho, 2014

Sobre o egoísmo

Ela era egoísta, mas egoísta de um jeito muito sincero. Ela sabia que era e não se esforçava para ser diferente. Não lutava contra seus defeitos, nem suas qualidades. Nem coisa alguma. Ela lutava apenas para satisfazer a si própria. Nada mais que isso. E isso incomodava muita gente. Principalmente as que se identificavam, no mais íntimo de seu ser, sem perceber. Joice Buzzi
“Você vem até aqui buscar por palavras que te aliviem das inevitáveis e acumuladas tristezas da vida. Você quer palavras que interpretem teus sonhos e revelem os propósitos da tua existência. Você procura por palavras que definam os indefinidos e indefiníveis dentro de ti. Você quer palavras em que identifiques o mapa dos teus interiores labirintos. Você anseia por palavras e previsões do teu próximo Amor ou o segredo e chave das tuas prisões. Palavras que serenem marés, tenham tons de milagre ou inovadoras percepções sobre os teus amanhãs. Você precisa de palavras como distração das ansiedades. Palavras que te salvem e que te curem. Que te confessem sem você precisar dizer nada. Você quer a sabedoria que em si mesma nunca encontrou. Por isso escrevo, para tentar salvarmos a todos nós, dissolvidos nos romances e nas entrelinhas. Você quer uma poesia além das páginas, no contorno dos teus caminhos. Eu também; eu busco o mesmo que você. Quem sabe um dia eu encontre entre tantas linhas, a...

Além do Ponto por Caio Fernando Abreu

Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chhuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse um táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos. Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz começava a escorrer, eu limpava com as costas das mãos e o líquido do na...
Ela gostava de fingir que escrevia. Rabiscava aqui e ali algumas palavras soltas. Sem nexo. Transparecia sua confusão, em uma folha de papel. Joice Buzzi
Ela era teimosa. Teimava com a vida e seus fatos. Desafiava todas as previsões e opiniões em busca de uma resposta que lhe parecesse mais digna. Nadava contra a correnteza. Buscando, sempre buscando algo que sabia que merecia. Ou talvez não. Mas teimava. Insistia. Insistia em juntar cacos, costurar panos furados, reatar laços. E nesse esforço constante em teimar, ela cansava. Não sabia onde encontrar seus limites. Até onde se vai para ter o que quer? Até onde ela seria capaz de ir? Só esperava descobrir a tempo. Antes que esquecesse o caminho de volta. Joice Buzzi
"Se você tem ideias próprias - mesmo que sejam só umas poucas ideias próprias- , tem de compreender que estará sempre encontrando caras feias, gente que vai fazer questão de lhe dar o contra, de diminuí-lo, de 'fazer você entender' que não tem nada a dizer, ou que você deve evitar aquele sujeito porque é louco, ou efeminado, ou um verme, um vagabundo, outro porque é punheteiro ou voyeur, outro porque é ladrão, outro, macumbeiro, espírita, maconheiro, outra porque é canalha, indecente, puta, sapatona, mal-educada. Eles reduzem o mundo a umas poucas pessoas híbridas, monótonas, aborrecidas e 'perfeitas'. E assim querem transformar você num excluído e num merda. Jogam você de cabeça na seita particular deles para ignorar e suprimir todos os outros." Pedro Juan Gutiérrez, no livro Trilogia suja de Havana
Não preciso provar pra ninguém o quanto sou feliz. Minha felicidade é silenciosa. Não gosta de alardes. Prefere sorrir sozinha longe de todos aqueles olhares. Minha alegria vem da contemplação do quanto viver é paradoxo. Joice Buzzi
Não importa o quanto você se esforça para ser uma boa pessoa, não importa o quanto você se preocupa em acertar em suas relações, e isso inclui desculpar-se quando percebe que errou. Nem sempre vão compreender sua maneira de agir e suas intenções como elas realmente significam pra você. Portanto, não espere por compreensão, porque as pessoas possuem maneiras diferentes de enxergar o mundo e as pessoas a sua volta. Não espere e não perca tempo se preocupando com quem não lhe entende. Gaste energia com o que realmente importa: ser você e ser feliz. Joice Buzzi