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Fim dos nossos dias

Mania essa de deixarmos o carinho pra outro dia, pra mais tarde, pra depois da terapia. Mania essa de achar que a vida espera. Que o relógio não bate. Que o tempo só passa para os outros. Mania, quantas manias. Estamos tão acostumados aos dias que só mesmo a morte para nos despertar. Porque quando ela chega, não existe orgulho, falta de tempo ou de palavras que nos impeçam de cuidar dos que ficaram e de bendizer os que já foram. Nenhum carinho é economizado. Eu diria que é na hora da morte que mais nos aproximamos do amor verdadeiro. Que triste constatação: esse amor só importa mesmo a quem fica. Mais triste ainda: a presença de alguém não é mais importante que sua morte. Pelos menos, é o que fazemos parecer. Não fosse então, o fim dos nossos dias, o que faríamos de nós? Joice Buzzi