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Mostrando postagens de julho, 2015

TENHO MEDO DE VIVER COMO SE ESTIVESSE MORTA por KAREN CURI

"Não tenho medo do escuro, nem de gente e muito menos da solidão. Não me amedronta pensar em adoecer, ou que terei que mudar de país, de vida, de rumo. Não tenho medo da morte, da fome, do desemprego, de ser esquecida. Não temo a insegurança do amanhã, nem o futuro da humanidade. A única coisa que me deixa em pânico é não poder ser eu mesma. Essa é a minha grande paúra: a de me anular. Acontece inconscientemente. A gente agrada um aqui, deixa o outro passar ali na frente e logo nos colocamos em segundo plano. Às vezes, no último plano. Porque queremos agradar e por isso somos bons. Bons até demais. Temos a necessidade de nos sentir acolhidos e fazer parte do contexto. Permitimos que outras pessoas assumam o papel principal da nossa própria vida enquanto assistimos, quietos, na plateia, absolutamente passivos. Sem voz ativa seguimos o fluxo como ovelha no rebanho. Deixamos que passem na frente, que assumam o comando, que se sentem, que se sirvam. Por medo da rejeição ou a impre...
"(...) Rogo de coração que escolhas dentre as tempestades, só a que te trouxer calmaria, e se por acaso a sorte lhe sorrir, ria! O Apego às vezes é como uma parede que impede o corpo de receber um carinho da chuva que cai, e da brisa fresca que nos beija, pós tempestade… Àquela que me tem em verso, prosa e poesia." (Andrey S. Santos em dedicatória )

"Serumanidade"

Eu não canso de achar graça das mazelas da nossa "serumanidade". Dessa hipocrisia que a gente cria e alimenta a todo instante. Dessa nossa incapacidade de olhar e avaliar o outro com o mesmo cuidado que avaliamos a nós mesmos. Dessa mania de julgar. E aqui não me refiro ao julgamento em si. Porque julgar faz parte da nossa convivência, atribuir valor às coisas é o que define nossa liberdade e nossa individualidade. Me refiro mesmo ao julgamento maldoso, sem conhecimento de causa, limitado, mesquinho, influenciado. Eu só consigo achar graça de todos esses comportamentos tão característicos da nossa espécie. Eu acho graça porque a gente anda pelo mundo como se soubesse de tanta coisa, esbravejando "verdades", opiniões, argumentos, sermões. Anda por aí achando que entende como tudo funciona ou deveria funcionar. E isso é coisa tão inocente. Sabe quando a gente olha pra uma criança e ri quando ela tenta se fazer de adulta? Sinto o mesmo quando percebo em nós, adultos, e...
Como uma folha que cai do pé e o vento leva, ela dança. Leve. Joice Buzzi
"Sinto uma ânsia absoluta como se eu tivesse de braços abertos para o alto num gesto de receber e os lábios entreabertos para melhor respirar, é como se eu ansiasse pelo além. Além de mim." Clarice Lispector
E o que é verdadeiro fica. Mesmo que seja só dentro da gente.  Joice Buzzi
"‎Que a minha intensidade não me impeça de respirar vezenquando, pois suspiro o tempo todo pra encontrar espaço nesse peito que já nem se cabe. Que essas explosões de vida, de beleza e dor me permitam ao menos, por alguns momentos, absorvê-las com tranqüilidade: para que eu consiga dormir sem ter de chorar ou gargalhar até a exaustão, pois sinto falta de apenas lacrimejar ou sorrir sem contrações, descontraída. Que a felicidade não me doa sempre e tanto, a ponto de assustar. Que haja alguma suavidade nos meus olhos diante do cotidiano e que eu não me emocione exageradamente com esta delicadeza. Que eu possa contemplar o mar sem que ele me afogue por completo. Que eu possa olhar o céu imenso e que isso não me aniquile por lucidez extrema. Que eu não viva só em caixa alta, com esses gritos que arranham silêncios e desgovernam melodias. Que eu saiba dizer sem que isso me machuque demais. Que eu saiba calar sem que isso me provoque uma tagarelice interna inquieta. Que eu possa saber d...
‎"(…) Riu. De alguma forma insana, agradeceu por ser assim. Percebeu que gastava seu tempo com o que realmente importava. Observava as cores das flores. Ouvia com atenção histórias de vida… Escrevia, aprendia. Diminuia o passo para observar um casal que andava abraçado, como se o mundo fosse acabar (eles tinham razão). Parava para olhar as crianças, recuperava energia. Guardava confissões. Estendia a mão. Dava seu tempo no treinamento de não julgar. Ouvia choros ao telefone. Acalmava e no intervalo entre os apertos aprendia com as experiências, olhares e percepções. O tanto que tinha por dentro era confuso porque era muito. A cada dia, doando, absorvia mais..."

Por Bibiana Benites

"Escrever me aquece, conforta. É leveza. Entrega. Quando escrevo me sinto mais dentro, mais fundo, mais eu mesma. Escrever pra mim é Delicadeza. É um ato meio intuitivo e a outra metade sensitiva. E parte dessa metade densidade, revelação. Transcende. Reluz. Quando escrevo, sinto que me conecto com outras energias. É uma “coisa” cósmica que paira entre eu e as letras. Entre mim e essas palavras que saem de dentro como flores que querem vento, luz, vitalidade. É Clareza, de claridade e de lucidez. Às vezes o contrário disso. Sou falante, tenho uma alma que dança e um coração que saltita dentro de mim. Sou também de observar, às vezes mais do que falar. Às vezes eu disse. Depende do tempo, da estação, da paisagem que tenho em minha frente, na minha janela, no meu jardim. Depende como eu me vejo naquele momento. Como eu me sinto. Gosto também de me comunicar pelos olhos, pelo toque, pela alma do outro quando conversa com a minha. Eu ouço sem me pronunciar. Às vezes choro. Às vezes me...

A poesia

A poesia é a minha bíblia, meu livro de ensinamentos. Se devemos traçar um caminho certo para seguirmos a vida, que o meu seja a incerteza das palavras de um poeta. Que seja a leveza e a singularidade de enxergar a vida e seus detalhes minuciosos com encantamento e conformidade. Que meu único mandamento seja não perder a capacidade de me fascinar pelo que é dito com o coração. Joice Buzzi
"[…] Vós me dizeis: “A vida é difícil de suportar”. Mas por que teríeis vosso orgulho de manhã e vossa resignação de noite? A vida é difícil de suportar: mas não sejais tão delicados! Todos nós somos belos asnos e asnas. Que temos em comum com o botão de rosa, que estremece porque sobre o seu corpo há uma gota de orvalho? É verdade: amamos a vida não por estarmos habituados à vida, mas ao amor. Há sempre alguma loucura no amor. Mas também há sempre alguma razão na loucura. E também a mim, que sou bem-disposto com a vida, parece-me que borboletas e bolhas de sabão, e o que há de sua espécie entre os homens, são quem mais entende de felicidade. Ver esvoejar essas alminhas ligeiras, tolas, encantadoras e volúveis leva Zaratustra às lágrimas e ao canto. Eu acreditaria somente num deus que soubesse dançar. Quando vi meu diabo, achei-o sério, meticuloso, profundo e solene: era o espírito de gravidade – ele faz todas as coisas caírem. Não com a ira, mas com o riso é que se mata. Eia, vam...
"Nada me satisfaz, nada me consola, tudo — quer haja sido, quer não — me sacia. Não quero ter a alma e não quero abdicar dela. Desejo o que não desejo e abdico do que não tenho. Não posso ser nada nem tudo: sou a ponte de passagem entre o que não tenho e o que não quero." Bernardo Soares
"O prestígio da poesia é menos ela não acabar nunca do que propriamente começar. É um início perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos então certas astúcias, por exemplo: é preciso apanhar a ocasional distracção das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consciência; e apanhá-las quando fecham as pálpebras, um momento, rápidas, e rapidamente pô-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distracção, um interregno, um instante oblíquo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas. Também roubámos a cara chamejante aos espelhos, roubámos à noite e ao dia as suas inextricáveis imagens, roubámos a vida própria à vida geral, e fomos conduzidos por esse roubo a um equívoco: a condenação ou condanação de inquilinos da irrealidade absoluta. O que excede a insolvência b...
"no território imperfeito em que habitamos a pele é fronteira afetos são águas que fluem / em fios ou caudalosos rios ausências / profundezas abissais memórias são trilhas / que a mata densa e invasiva da vida cotidiana encobre lentamente" Nydia Bonetti
"Algumas almas são intocáveis feito ninho de cascáveis dentro do peito de alguns chove o dia inteiro e nos olhos tristes daquela garota sentada no meio-fio tocava chet baker em modo repeat." Diego Moraes
"Não há normas. Todos os homens são excepções a uma regra que não existe." Fernando Pessoa
"Da vida não se sai pela porta: só pela janela. Não se sai bem da vida como não se sai bem de paixões jogatinas drogas. E é porque sabemos disso e não por temer viver depois da morte em plagas de Dante Goya ou Bosh (essas, doce príncipe, cá estão) que tão raramente nos matamos a tempo: por não considerarmos as saídas disponíveis dignas de nós, que, em meio a fezes e urina sangue e dor, nascemos para lendas mares amores mortes serenas." Antonio Cicero
"Tudo já está nas enciclopédias e todas dizem as mesmas coisas. Nenhuma delas nos pode dar uma visão inédita do mundo. Por isso é que leio os poetas. Só com os poetas se pode aprender algo novo." Mario Quintana

Dos poetas conheço muito pouco

Dos poetas conheço muito pouco. Suas histórias, seus nomes, por mais significantes que possam ser, por mais extraordinárias que sejam suas trajetórias, desconheço. Talvez por preguiça, comodidade ou entendimento do quanto minha memória é falha para rótulos. No entanto, suas palavras, essas sim eu conheço bem. Viajo e me perco nelas, como quem procura uma razão que não existe e compreende, sabendo que a busca será constante. Dos poetas, conheço muito pouco. Mas do que me fizeram sentir, este saber eu guardo comigo. Sou mais da essência. Do âmago das coisas todas. Seus nomes eu esqueço, mas suas virtudes são sempre lembradas. E sei muito bem que para uma admiradora da poesia, não lembrar quem disse o que, faz eu perder muita credibilidade. Que assim seja, contanto que o meu sentir continue intacto, que minha sensibilidade se aflore a cada palavra lida. Pouco me importa se não saberei referenciar, desde que eu saiba dizer o que aquilo significou para mim. Não me entenda mal, acho fantásti...