"Serumanidade"
Eu não canso de achar graça das mazelas da nossa "serumanidade". Dessa hipocrisia que a gente cria e alimenta a todo instante. Dessa nossa incapacidade de olhar e avaliar o outro com o mesmo cuidado que avaliamos a nós mesmos. Dessa mania de julgar. E aqui não me refiro ao julgamento em si. Porque julgar faz parte da nossa convivência, atribuir valor às coisas é o que define nossa liberdade e nossa individualidade. Me refiro mesmo ao julgamento maldoso, sem conhecimento de causa, limitado, mesquinho, influenciado. Eu só consigo achar graça de todos esses comportamentos tão característicos da nossa espécie. Eu acho graça porque a gente anda pelo mundo como se soubesse de tanta coisa, esbravejando "verdades", opiniões, argumentos, sermões. Anda por aí achando que entende como tudo funciona ou deveria funcionar. E isso é coisa tão inocente. Sabe quando a gente olha pra uma criança e ri quando ela tenta se fazer de adulta? Sinto o mesmo quando percebo em nós, adultos, essa tentativa de se fazer entendido de tudo. Quando agimos como se conhecêssemos o caminho a ser trilhado e impomos aos outros o mesmo percurso, ignorando que na verdade, estamos todos perdidos. Diante disso, eu vou rindo, rio porque no fundo compreendo algo que não sei expressar e rio, como se fosse a única coisa que eu ainda pudesse fazer. Rir de mim, dos outros, de tudo. Porque talvez, seja melhor que chorar.
Joice Buzzi
Joice Buzzi
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