Arte

Pego o notebook, sento na grama do jardim e espero a iluminação da divindade criativa me fazer uma visita. Sei que tenho algo a expressar, sinto que algo em mim quer falar e eu quero tanto deixar. Mas não sei que palavras eu uso, nem por onde começo. Talvez só o fato de me por aqui, em frente a essa página em branco, escrevendo algumas palavras sem sentido e finalidade, possa satisfazer essa vontade que me invade.
A arte e a cultura servem para esse fim mesmo. Ainda que não produzam algo significativo para quem recebe, quem produz se satisfaz com o que é produzido. Ainda que não diga nada com nada, ainda que sejam apenas riscos e rabiscos. E é bom não questionar demais. Permitir-se me parece a melhor opção. Permito-me.
Desculpe se ofendo os grandes, os verdadeiros poetas e pensadores. Estou tão longe de pretender isso. Só estou usando o que me cabe para obter um pouquinho de felicidade. No meio da dor de existir a gente tem que encontrar meios para se fazer feliz e evitar o desprazer. Cada qual usa as ferramentas que possui, do jeito que consegue e é aconselhável não entravar o seu uso devido a cobranças sobre a maneira correta de se fazer. Entender que não existe manual, já é um bom começo para se libertar das amarras que nos prendem. Tanta coisa bonita poderia ser vista por aí se as pessoas se permitissem mais expressar o que sentem. Na literatura, na pintura e na música. Quanta gente se prende por medo de parecer ridículo. E qual o problema de ser ridículo, afinal?
Me parece que digno de ridicularização é quem se esconde de si mesmo, quem dissimula uma imagem exterior que não condiz com o que há por dentro. Quem mente, ofende e falta com educação. O resto, se for taxado de ridículo, eu desconfio de quem diz.
Então, eu defendo o uso ilimitado da capacidade que todos temos de nos alegrar movimentando nossa energia interna, transformando isso em alguma coisa, qualquer coisa. Seja fazendo o que for. Seja cantando com a voz desafinada, seja rabiscando aqui e ali desenhos, pinturas, palavras que rimam. Seja numa profissão, num emprego, numa conversa. Ponha tanto quanto você é naquilo que fizer e tenho certeza que isso te transformará num engenhoso artista. Afinal de contas, viver é a arte pura e enquanto a cortina não se fechar, podemos fazer dela um um belo espetáculo.

Joice Buzzi

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