"Chegados ao acaso da vida, vem-nos a suspeita de termos agido mal por vezes. Não encontramos as palavras adequadas para o amigo que precisava delas, para a criança que nos foi confiada, abandonamos seres aflitos, ferimos os que nos eram caros. Fomos ora covardes, ora mesquinhos, mas também algumas vezes nobres e generosos. É assim a abundância do coração: em meio a tanta deficiência, capaz de nos tornar melhores, de nos elevar acima de nós mesmos. A todos os atormentados pelo medo da decepção ou das zombarias, é preciso repetir: não tenham vergonha de suas contradições ou de serem o que são, ingênuos, sentimentais, fiéis ou frívolos. Não se deixem intimidar! Não há um só caminho para a alegria. Amamos tanto quanto podem os homens amar, ou seja, imperfeitamente." Pascal Bruckner, O Paradoxo amoroso
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