"... não lhe faz mal algum cambalear, para que saiba o quanto vale poder assentar os pés no chão." [Saramago. In: Memorial do Convento]
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Mostrando postagens de abril, 2020
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"Nada mais somos do que a soma de uma infinita totalidade de partículas, moléculas, acontecimentos, aprendizados, sentimentos e transformações, viajando, vagando no Tempo, desde o principio,"Eus", eis o que somos . Tecendo nossa rede, gota d’água que somos neste oceano, caminhando, podemos flutuar como uma pluma, porém, acontecendo-nos de desviar a atenção exigida pela jornada, podemos espetar nossos dedos, o que nos leva diretamente a arder em nosso próprio pára-inferno . Devemos estar atentos, olhos de águia, ouvidos de lobo. Passos leves, mandíbulas preparadas. Em cada Tudo: uma incrível imensidão. A cada respiração, é o hálito do Universo aquilo que nos chega. Vindo de longínquos tempos, remotos tempos, a refrescar nossos pulmões, aquecer nossos corações, renovando-se a Terra, e toda a Vida Nela existente. No ato da respiração, a simples manifestação do Sempre. E se assim é, do Amor Existencial, se possível for, preenchamos cada poro, cada passo, cada polegada. Do Am...
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Entre a luz amarelecida dos postes e seus olhos, finas hastes de vidro cortavam verticalmente o vácuo existente; caíam das trevas que se firmavam acima das luzes. A chuva, fria e mansa, silenciosamente plastificava a pele negra da rua, tornando aquele corpo áspero e serpentino do asfalto mais escuro que as noites sem luar. Espaçadamente a beleza do pretume molhado era interrompida por círculos incandescentes que reinavam sobre o chão pétreo, salpicando de milhares e milhares de partículas faiscantes, paridas das luzes dos postes imóveis. Envolto em sua capa e chapéu, imperceptível, abrigado em sombra densa, fundiam-se homem e escuridão. Estático, absorvido, tragado pelos seus pensamentos, parecia espreitar algo. Sua parada dera-se pela aura envolvente e propícia que comunicava-lhe todo o conjunto daquele lugar ao seu redor. Sua necessidade era estar consigo. Estar só. Ouvir as ondas de sua alma, sentir o fluxo de sua própria maré. E, conforme chocavam-se as ondas nas rochas da orla de ...
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Tudo na Terra está em um fluxo contínuo: nada mantém uma forma constante e fixa, e nossas afeições, que se apegam as coisas externas, necessariamente passam e mudam como elas.Sempre à frente ou atrás de nós, elas lembram o passado que não é mais ou preveem o futuro que muitas vezes não deve acontecer: Não existe nada sólido a que o coração possa se apegar. Assim, neste mundo só conhecemos o prazer que passa; a felicidade que dura, duvido que seja conhecida. Mal existe, em nossos mais vivos prazeres, um instante em que o coração possa de fato dizer: “Eu gostaria que esse instante durasse para sempre”. E como chamar de felicidade um estado fugidio que nos deixa o coração inquieto e vazio, que nos faz sentir falta de algo antes ou desejar ainda algo depois? Contudo, se existe um estado em que a alma encontra uma base sólida o suficiente para descansar por inteiro e reunir todo seu ser, sem precisar lembrar o passado ou avançar sobre o futuro; em que o tempo nada é para ela; Em que o prese...