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Mostrando postagens de fevereiro, 2015

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"Hoje eu queria alguém que me dissesse que eu não precisava me preocupar, um ombro, uma mão. Desculpe tanta sede, tanta insatisfação. Amanhã, amanhã recomeço." Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu, carta a Vera Antoun

"Eu ia te escrever qualquer dia, eu tinha — e tenho — um monte de coisas pra te dizer, aquelas coisas que a gente cala quando está perto porque acha que as vibrações do corpo bastam, ou por medo, não sei. Mas as coisas todas, externo-interno, eram muito difíceis e escuras, eu não tinha condições de mostrar ou dar nada a ninguém que não fosse também escuro, compreende? Eu não queria, eu não quero dar trevas, dor, medo, solidão — eu quero dar e ser luz, calor, amparo (…)" Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu, carta a Suzana Saldanha

"Dói de todos os lados, os de fora, os de dentro, de baixo e de cima, nenhuma saída, e você meio cego, meio tonto, só sabe que tem que continuar, meio sem esperança, as ilusões despedaçadas, o coração taquicárdico, língua seca, e continuando. Continuando. Resistimos, aos trancos, já nem sei se foi escolha ou solavanco. Difícil arrancar uma certa lucidez disso tudo. Mas sinto que o coração se depura (é tão antigo falar em coração…) um pouco mais, em cada porrada. Meu olho compreende cada vez mais. Pode ser útil, mas gosto assim, aqui, no meio de todos os sacos de lixo que a greve dos lixeiros deixou amontoados pela cidade (as escadarias do Teatro Municipal estão cheias, o que acho muito expressivo). E resisto. Gosto de mim assim, e mesmo que não houvesse mais, só por isso. Por resistir. Quando o mais coerente seria estar talvez numa clínica psiquiátrica." (Caio Fernando Abreu. Carta a Suzana Saldanha)