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Mostrando postagens de fevereiro, 2018

falta

Isolei-me para chorar minhas perdas Fiquei em silêncio com minhas faltas O sol se fez negro pela lembrança do que já foi. O presente se ambientou no passado O futuro não parecia bom O inevitável fim, a certeza das perdas futuras pesaram e eu transbordei em água salgada escorrendo pelo rosto. Solucei, gritei baixinho Não existia solução, ainda não existe, apenas deixar a falta fazer seu papel, faltar. Fui brigar com a falta e perdi. Sempre se perde. Ganha-se talvez quando se aprender a perder. E como é que se faz? Aprender é aceitar e nem sempre eu aceito. Não aprendi a me dar por vencida. Perco energia lutando contra minhas perdas Não vejo solução, viver é ir deixando ir. Joice Buzzi
Passava um pouco das três horas de uma manhã incomparável. O azul e branco das estrelas e do céu eram como cores do deserto, uma suavidade tão palpitante que tive de parar e me perguntar como podia ser tão adorável. Nem uma folha das palmeiras sujas se mexia. Nenhum som era ouvido. Tudo o que era bom em mim me emocionou naquele momento, tudo o que eu esperava do profundo e obscuro significado da minha existência. Aqui estava a placidez interminável e muda da natureza, indiferente à grande cidade; aqui estava o deserto abaixo dessas ruas, ao redor dessas ruas, esperando que a cidade morresse para cobri-la com a areia eterna uma vez mais. Assaltou-me uma sensação aterrorizadora de entender o significado e o destino patético dos homens. O deserto sempre esteve aqui, um animal branco paciente, esperando que homens morressem, que civilizações lampejassem e se apagassem na escuridão. Então os homens me pareceram bravos e fiquei orgulhoso de figurar entre eles. Toda a maldade do mundo não par...
Eu sei que o tempo é senhor e ele trata de remediar. Mas a ferida aberta, amor agora precisa sangrar. Joice Buzzi