Muito do que sou, muito do que digo, muito do que penso que pensei primeiro vêm das minhas leituras. Vêm da lindeza das palavras. Vêm do coração de quem escreve. E umas das escritoras que eu mais tenho orgulho de me reconhecer é a Martha Medeiros. Jornalista e poetiza brasileira. Ela, com suas habilidades de expressão, organiza meus pensamentos, tornam eles compreensíveis. Sabe quando você não consegue expressar aquilo que você sente? Ela consegue. Em geral, poetas fazem isso, resgatam o que está perdido. O que ninguém vê. Por isso, abaixo está um trecho de seu livro "Ser feliz por nada", um dos meus favoritos da Martha M. Quase um mantra em meus momentos de angústia. Quando as cobranças e a baixa autoestima se instauram, ela me salva.
“Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem. Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto? A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa. Ser feliz por nada talvez seja isso."
(Martha Medeiros, no livro “Ser feliz por nada”)

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