Por Clarice Lispector
"Mais uma vez, nas suas hesitações confusas, o que a tranqüilizou foi o que
tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma
precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia
dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava
nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que
existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era,
tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase
insensível à mulher.
Bem, suspirou ela, se não vinha clara, pelo menos sabia que havia um sentido
secreto das coisas da vida. De tal modo sabia que às vezes, embora confusa, terminava
pressentindo a perfeição — de novo esses pensamentos, que de algum modo usava
como lembrete (de que, por causa da perfeição que existia, ela terminaria acertando)."
Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres; Clarice Lispector.
tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma
precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia
dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava
nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que
existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era,
tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase
insensível à mulher.
Bem, suspirou ela, se não vinha clara, pelo menos sabia que havia um sentido
secreto das coisas da vida. De tal modo sabia que às vezes, embora confusa, terminava
pressentindo a perfeição — de novo esses pensamentos, que de algum modo usava
como lembrete (de que, por causa da perfeição que existia, ela terminaria acertando)."
Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres; Clarice Lispector.
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