Walden
"Cada manhã era um alegre convite para que eu conferisse à minha vida a mesma simplicidade, diria até inocência, da própria Natureza. Tenho sido um adorador da Aurora tão sincero quanto os gregos. Levantava-me cedo e banhava-me no lago; era um exercício religioso, e uma das melhores coisas que eu fazia. Dizem que na banheira do rei Tching-Thang estavam gravados caracteres que diziam: "Renova-te completamente a cada dia, e de novo e de novo, para sempre de novo". Sou capaz de entender isso. A manhã traz de volta as eras heroicas.
[...]
Temos que aprender a redespertar e a nos manter acordados, não com ajuda mecânica, mas por uma infinita expectativa da alvorada, que não nos abandona sequer em nosso sono mais profundo. Não conheço fato mais animador do que a inquestionável faculdade humana de elevar sua existência por meio de um empenho consciente. Ser capaz de pintar um quadro específico, ou esculpir uma estátua, e assim tornar belos alguns objetos, tem sua importância; mas é muito mais glorioso esculpir e pintar a própria atmosfera e o modo como observamos as coisas, e isso é algo que moralmente podemos fazer. Influir sobre a qualidade do dia, eis a mais sublime das artes. Todo homem está incumbido de tornar sua vida, mesmo nos menores detalhes, digna de ser contemplada em sua hora mais elevada e crítica. Se recusássemos, ou antes se esgotássemos, as informações tão irrisórias que recebemos, os oráculos nos informariam claramente como isso poderia ser feito.
Fui para os bosques porque desejava viver deliberadamente, encarar apenas os fatos essenciais da vida, e ver se não seria capaz de aprender o que ela tinha a me ensinar, para que, quando eu viesse a morrer, não descobrisse que tinha deixado de viver. Eu não queria viver o que não era vida, pois viver é tão precioso; tampouco queria me resignar, a menos que fosse totalmente necessário. Queria viver profundamente e sugar toda a polpa da vida, viver de modo tão vigoroso e espartano a ponto de desbaratar tudo o que não fosse vida, abrindo e limpando uma larga clareira, para encurralar a vida num canto e reduzi-la aos termos mais básicos, e se ela se mostrasse vil, ora, então eu enfrentaria toda a sua genuína vileza, e a denunciaria ao mundo."
Henry David Thoreau em Walden, 1854.
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Temos que aprender a redespertar e a nos manter acordados, não com ajuda mecânica, mas por uma infinita expectativa da alvorada, que não nos abandona sequer em nosso sono mais profundo. Não conheço fato mais animador do que a inquestionável faculdade humana de elevar sua existência por meio de um empenho consciente. Ser capaz de pintar um quadro específico, ou esculpir uma estátua, e assim tornar belos alguns objetos, tem sua importância; mas é muito mais glorioso esculpir e pintar a própria atmosfera e o modo como observamos as coisas, e isso é algo que moralmente podemos fazer. Influir sobre a qualidade do dia, eis a mais sublime das artes. Todo homem está incumbido de tornar sua vida, mesmo nos menores detalhes, digna de ser contemplada em sua hora mais elevada e crítica. Se recusássemos, ou antes se esgotássemos, as informações tão irrisórias que recebemos, os oráculos nos informariam claramente como isso poderia ser feito.
Fui para os bosques porque desejava viver deliberadamente, encarar apenas os fatos essenciais da vida, e ver se não seria capaz de aprender o que ela tinha a me ensinar, para que, quando eu viesse a morrer, não descobrisse que tinha deixado de viver. Eu não queria viver o que não era vida, pois viver é tão precioso; tampouco queria me resignar, a menos que fosse totalmente necessário. Queria viver profundamente e sugar toda a polpa da vida, viver de modo tão vigoroso e espartano a ponto de desbaratar tudo o que não fosse vida, abrindo e limpando uma larga clareira, para encurralar a vida num canto e reduzi-la aos termos mais básicos, e se ela se mostrasse vil, ora, então eu enfrentaria toda a sua genuína vileza, e a denunciaria ao mundo."
Henry David Thoreau em Walden, 1854.
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