Razão
Tenho aprendido com a psicologia e a filosofia estoica que nosso maior objetivo existencial é o de aprender a domar nossos instintos e emoções por meio do exercício da razão. Ninguém pode negar a capacidade que todos temos de moldar e conduzir nossos pensamentos, racionalmente. Tenho a liberdade de pensar o que vou comer daqui 20 minutos e no instante seguinte decidir pensar numa conversa que pode nunca vir a acontecer. Temos o poder de intervir em tudo aquilo que compõe nosso pensamento.
Freud, o conhecido pai da psicanálise introduziu na história do pensamento humano uma instância da psique até então ignorada no processo de pensar: o inconsciente. Portamos, então, uma espécie de local imaterial em nossa mente que armazena conteúdos inacessíveis para a nossa consciência. Seu substrato consistiria predominantemente por traumas, experiências negativas que nos trariam sofrimento. Estes conteúdos conduziriam algumas de nossas ações e atitudes. Dispomos, portanto, de uma espécie de guia que orienta inconscientemente nossos atos. Uma tendência, uma inclinação a seguir determinados caminhos.
Diante disso, a razão e nossa consciência de nós mesmos, é que vão nos ajudar a entender todas as nossas inclinações e porque nos sentimos tão atraídos a buscar mais alguns caminhos do que outros. Perceber nossos padrões de comportamento, entender porque me cerco mais de um determinado tipo de pessoa do que de outro, para dessa forma, intervir e modificar o que for necessário e possível, para alcançar uma certa qualidade de vida. Um certo nível de equilíbrio psicológico.
O estudo de desenvolvimento humano possui ainda mais algumas teorias, além daquelas propostas por Freud na psicanálise, para explicar porque somos como somos ou porque pensamos o que pensamos. A genética e a ação do ambiente incontestavelmente determinam boa parte da nossa constituição psíquica. Moldam nossa personalidade e os valores que costumamos cultivar. A cultura, o período histórico ao qual fazemos parte, nossa família, bairro, cidade, tudo que é exterior a mim, interage comigo o tempo todo, transformando e indicando o que eu posso ser.
Há, portanto, muitas influências externas e internas na constituição do que eu sou. E o que eu sou vai determinar o tipo de vida que eu posso ter. E os tipos de vida são tão variáveis quanto são as pessoas. Cada um terá o seu. Aquilo que nos torna comuns, iguais é tão somente nossa capacidade para racionalizar. Nossa liberdade para pensar e usar a razão para distinguir aquilo que é realmente válido pensar e acreditar para se ter uma vida razoavelmente boa. Nossa autonomia em decidir o caminho que eu, conscientemente plena de mim- ou quase - quero seguir.
Os estóicos, em sua corrente filosófica, me ensinaram que devo me ocupar apenas daquilo que tenho controle, deixando de lado toda frustração que se origina daquilo que não posso controlar. Tudo o que não depende de mim, devo deixar seguir seu fluxo. Não que isso seja tarefa assim tão fácil, as vezes eu teimo em querer justamente o oposto do que se apresenta em meu horizonte. Teimo em querer afetos, reviver histórias passadas, construir um futuro diferente, estar onde não estou, ter perto quem por fatalidade ou escolhas, não posso ter. Mas ora, ainda assim, mesmo inserida nesse mundo que acontece sem pedir minha autorização ou satisfação, eu tô aqui. Estando aqui o jeito é estar verdadeiramente no único lugar a que pertenço: no presente, no agora. O estoicismo me ensinou muito sobre o valor do hoje.
Estando aqui, mesmo não tendo a liberdade que gostaria de ter pois fui podada pelos acontecimentos, limitada pelos acasos, destinada pelos genes, devo assumir aquilo que me cabe, o pouco que me cabe, o pouco possível que pode fazer a diferença crucial entre a vida e a morte. Aquela pequena parte que nos foi concedida pelo universo: uso limitado, porém possível, da razão.
Joice Buzzi
Freud, o conhecido pai da psicanálise introduziu na história do pensamento humano uma instância da psique até então ignorada no processo de pensar: o inconsciente. Portamos, então, uma espécie de local imaterial em nossa mente que armazena conteúdos inacessíveis para a nossa consciência. Seu substrato consistiria predominantemente por traumas, experiências negativas que nos trariam sofrimento. Estes conteúdos conduziriam algumas de nossas ações e atitudes. Dispomos, portanto, de uma espécie de guia que orienta inconscientemente nossos atos. Uma tendência, uma inclinação a seguir determinados caminhos.
Diante disso, a razão e nossa consciência de nós mesmos, é que vão nos ajudar a entender todas as nossas inclinações e porque nos sentimos tão atraídos a buscar mais alguns caminhos do que outros. Perceber nossos padrões de comportamento, entender porque me cerco mais de um determinado tipo de pessoa do que de outro, para dessa forma, intervir e modificar o que for necessário e possível, para alcançar uma certa qualidade de vida. Um certo nível de equilíbrio psicológico.
O estudo de desenvolvimento humano possui ainda mais algumas teorias, além daquelas propostas por Freud na psicanálise, para explicar porque somos como somos ou porque pensamos o que pensamos. A genética e a ação do ambiente incontestavelmente determinam boa parte da nossa constituição psíquica. Moldam nossa personalidade e os valores que costumamos cultivar. A cultura, o período histórico ao qual fazemos parte, nossa família, bairro, cidade, tudo que é exterior a mim, interage comigo o tempo todo, transformando e indicando o que eu posso ser.
Há, portanto, muitas influências externas e internas na constituição do que eu sou. E o que eu sou vai determinar o tipo de vida que eu posso ter. E os tipos de vida são tão variáveis quanto são as pessoas. Cada um terá o seu. Aquilo que nos torna comuns, iguais é tão somente nossa capacidade para racionalizar. Nossa liberdade para pensar e usar a razão para distinguir aquilo que é realmente válido pensar e acreditar para se ter uma vida razoavelmente boa. Nossa autonomia em decidir o caminho que eu, conscientemente plena de mim- ou quase - quero seguir.
Os estóicos, em sua corrente filosófica, me ensinaram que devo me ocupar apenas daquilo que tenho controle, deixando de lado toda frustração que se origina daquilo que não posso controlar. Tudo o que não depende de mim, devo deixar seguir seu fluxo. Não que isso seja tarefa assim tão fácil, as vezes eu teimo em querer justamente o oposto do que se apresenta em meu horizonte. Teimo em querer afetos, reviver histórias passadas, construir um futuro diferente, estar onde não estou, ter perto quem por fatalidade ou escolhas, não posso ter. Mas ora, ainda assim, mesmo inserida nesse mundo que acontece sem pedir minha autorização ou satisfação, eu tô aqui. Estando aqui o jeito é estar verdadeiramente no único lugar a que pertenço: no presente, no agora. O estoicismo me ensinou muito sobre o valor do hoje.
Estando aqui, mesmo não tendo a liberdade que gostaria de ter pois fui podada pelos acontecimentos, limitada pelos acasos, destinada pelos genes, devo assumir aquilo que me cabe, o pouco que me cabe, o pouco possível que pode fazer a diferença crucial entre a vida e a morte. Aquela pequena parte que nos foi concedida pelo universo: uso limitado, porém possível, da razão.
Joice Buzzi
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