O céu brilha, azul e côncavo, sobre a minha cabeça. Há-de estar cheio de anjos sem asas, como os que vi, numa manhã sem outro milagre, há muitos anos, na cúpula da Capela Sistina. Sei disso porque daqui onde estou os sinto a respirar. Penso em todos os lugares que gostaria de visitar contigo. No que gostaria de fazer contigo – e não farei nunca:
Ler-te alto as Ficções, de Borges.
Rir, enquanto nadássemos entre golfinhos, no mal sem maldade de Fernando de Noronha.
Dormir no deserto.
Cozinhar-te um bom muzonguê, seguindo a receita que me deixou a minha mãe.
Ensinar-te as palavras mais meigas da língua umbundo (a língua mais meiga do mundo).
Ensinar-te a flutuar no mar liso do Mussulo (ilhéu dos Padres).
Ensinar-te a dançar o tango.
Ouvir-te discorrer sobre a arte de caminhar dos manequins.
Fotografar-te nua.
Beijar os teus lábios depois de comermos juntos sorvete de pitanga.
Ver contigo Deus e o diabo na terra do sol, do Glauber Rocha. Aliás, ver contigo a filmografia completa do Glauber Rocha.
Desenhar, e depois construir, a casa perfeita.
Voar num balão sobre as montanhas da Huíla e o deserto do Namibe.
Passear de mãos dadas, no Parque Güell, em Barcelona.
Etc. etc., tantas são as coisas que não faremos nunca.
***
Milagrário pessoal: apologia das varandas, dos quintais e da língua portuguesa, seguida de uma breve refutação da morte, José Eduardo Agualusa, p. 221 e 222. Língua Geral, 2010.
Ler-te alto as Ficções, de Borges.
Rir, enquanto nadássemos entre golfinhos, no mal sem maldade de Fernando de Noronha.
Dormir no deserto.
Cozinhar-te um bom muzonguê, seguindo a receita que me deixou a minha mãe.
Ensinar-te as palavras mais meigas da língua umbundo (a língua mais meiga do mundo).
Ensinar-te a flutuar no mar liso do Mussulo (ilhéu dos Padres).
Ensinar-te a dançar o tango.
Ouvir-te discorrer sobre a arte de caminhar dos manequins.
Fotografar-te nua.
Beijar os teus lábios depois de comermos juntos sorvete de pitanga.
Ver contigo Deus e o diabo na terra do sol, do Glauber Rocha. Aliás, ver contigo a filmografia completa do Glauber Rocha.
Desenhar, e depois construir, a casa perfeita.
Voar num balão sobre as montanhas da Huíla e o deserto do Namibe.
Passear de mãos dadas, no Parque Güell, em Barcelona.
Etc. etc., tantas são as coisas que não faremos nunca.
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Milagrário pessoal: apologia das varandas, dos quintais e da língua portuguesa, seguida de uma breve refutação da morte, José Eduardo Agualusa, p. 221 e 222. Língua Geral, 2010.
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